ECONOMIA DO ESTRUME - Sem independência econômica, Independência será "terra do não terá"
22/06/2007
Por:
Rogerlando Gomes Cavalcante - Pequeno |
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O fechamento da agência banco do brasil é sintoma da crise e depressão agonizante na economia e aguda na política pela qual passa, a muitos anos, Independência. Na verdade o fechamento do BB, agência Independência, é a consumação da crise percebida na expressão "terra do já teve". Culpados? Somos todos nós, que, ante a questões políticas e, portanto, de interesse público, nos omitimos. Com efeito a questão econômica passa, como já tratei em outro artigo, pela questão política, de que não tratamos com profundidade e propriedade. E tratá-la com profundidade significa mudar. Mudar nossos representantes - o do Palácio Municipal e os da Casa do Povo -, mas para isso é imperativo que os representados queiram... Depertemos neles este querer!
Mais: o bb não vai sozinho não. A saída do banco vai provocar um esvaziamento ainda maior, em todos os aspectos, em Independência: que vai de dinheiro a gente. Digo ainda maior porque já vem ocorrendo - a saída do banco apenas acelerará a fuga - êxodo financeiro (muita gente já realiza suas compras, inclusive domésticas, em Crateús) e, pela sobrevivência, êxodo ´social: incontáveis os que, anualmente, migram Brasil à fora a procurar de melhoras. E mesmo que o banco fique, a pindaiba municipal não desaparece, permanece: Independência continuará a depender dos caraminguás de quem é funcionário "estatal" e/ou aposentado do INSS.
O esvaziamento atual - esvaziamento econômico e social, para citar apenas os mais sentidos - tem, portanto, raízes em inconsequências políticas do passado e no presente.
No passado recente está boa parte do que explica a situação atual do municipio. A história registra duas signicativas perdas territoriais. Novo Oriente, em 57, e Quiterianópolis em 89. Perdas ´políticas´(uma vez que administrativas e eleitorais) que influenciaram na economia do municipio, dado que, assim, se reduziu o que antes correspondia a nossa produção agricula e agropecuária. O fim da "bacia leiteira", por exemplo, significou o fechamento da CILA e,já antes, da Coperativa Agrícola de Independência... Não pretendo perfazer a história econômica e política de Independência para esclarecer como ela foi se tornando a "terra do já teve", apenas quero assinalar até onde ela pode, no ritmo que vai, se transformar na "terra do não terá".
Pois, com efeito, tão grave como a "terra do já teve" é assistir Independência se transformar na "terra do não terá" - Lugar, pelo presente, sem futuro. (O futuro passa pelo fim do nepotismo, da sinecura e pela transparência, como forma de controle social que aproxima a democracia representativa do representado.)
Não terá saída se não resolver mudar o seu perfil político - trocar o conservadorismo assitencial pelo empreendedorismo econômico. Somente com autonomia econômica as pessoas declaram independência política ...Enfim, poder se bancar é sim condição para mostrar independência, ao menos para os que conservam dignidade e não são cooptávéis.
Assim, ou, talvez, apenas a economia de resistência - e tradicional - permaneça: a de estrume, único "produto" de exportação que sai semanalmente de Independência, à carradas, para adubar as terras da Serra Grande. Cada carrada de esterco é trocada por trinta rapaduras, a `moeda´ que fica como "divisas" para Independência.
Em outras palavras: produzir riquezas, gerar ganhos... aí banco - que não é instuição de caridade, mas de rentabilidade - não sai. Pelo contrário, vem atrás de ganhar do dinheiro que se ganhe... prestar serviço: emprestar dinheiro a juros, cobrar taxas: `investir´.
Bom, ou se preenche o vácuo político, nos faltam líderes, ou o abismo econômico levará Independência ainda mais para a obscuridade - e a continuar onde está: na insignificância.
Artigo de Rogerlando - Pequeno, originalmente publicada em http://articulistaindependente.blogspot.com |
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