Dom Quixote - Uma reflexão - Prof. Alves
28/10/2007

Por: Professor Alves
 

 

E assim se deu lá na Mancha,

Que Dom Alejandro e seu amigo

Que atendia por Sancho Pança,

Sem temer do mundo o perigo

Saíram sem rumo certo.

É isso que aqui digo.

 

De tanto ler história,

De tanto ver moça donzela,

Dom Alejandro Quijano

Defensor de muita querela,

Entrou, coitado, em parafuso,

Um dia, numa tarde bela.

 

Imaginava- se ele

Destemido cavaleiro

Que enfrentasse monstro,

Que salvasse o mundo inteiro,

Era assim que tinha que ser

Decidiu-se o mancheiro.

 

Vestiu-se então a caráter

Pra com o mundo duelar,

Arranjou um pobre cavalo,

Mas gostoso de montar

Sorrindo ele saiu

Foi o mundo desbravar.

 

 

 

 

Mas antes foi lá na vila

E lá buscou um escudeiro.

Disse: vamos meu amigo

Correr os campos, ligeiro,

Proteger moça donzela,

E salvar o mundo inteiro.

 

 

Sancho Pança deixou família,

Duas vezes não pensou,

Seguiu assim seu companheiro,

Tudo pra trás deixou,

Com esperança nos olhos,

Com o companheiro  rumou.

 

Dom Quijano era fidalgo

Por isso o nome mudou,

Pensou num belo pseudônimo,

Não foi difícil e ele achou

Um singelo nome falso:

Dom Quixote se chamou.

 

Precisava nosso amigo

De uma musa inspiradora,

Assim como os poetas,

De uma mola propulsora

Pra seus versos encantar,

Buscam em moça donzela,

Uma dama sonhadora.

 

E logo ele encontrou,

Pra dos seus olhos o gozo,

Uma bela senhorita,

Pra seu espírito belicoso,

Pra sua musa escolheu

Dona Dulcinéia del Toboso.

 

Perdoe-me caro leitor,

Não é pensamento meu

Lhe contar essa história

Que há tempos Miguel contou.

Noutra coisa, meu amigo,

Pensando aqui estou.

 

O que eu quero é refletir

Nesse mundo em que vivemos,

Nos conflitos que enfrentamos,

Nos problemas que aqui temos,

Enfrentamos todo dia

São muitos, e não amenos.

 

 

 

Por nós é também sabido

Que Dom Quixote passou

Por muita humilhação,

Muita gente o humilhou

Mesmo assim o cavaleiro

Sua cabeça não baixou.

 

E nós vivemos também

Tal qual o cavaleiro,

Passando por privações,

Driblando o mundo inteiro

E é em nós que precisamos

lutar logo por primeiro.

 

Somos Quixote e Sancho,

Pelas pessoas mal entendidos,

Vítimas do preconceito

A que Miguel tem aludido,

Defendendo a minoria

Na sua história defendida.

 

Somos também como ele,

Andantes cavaleiros,

Em busca de um sonho,

Somos todos brasileiros,

Criando casca a cada dia,

Valentes, fortes, inteiros.

 

Mas não importa que lhe digam

Palavras duras, insinceras,

Erga a lança de Quixote,

Construa suas quimeras

À revelia dos outros

Seja muito feliz deveras.

 

 

 
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