POLÍTICA: TEORIA E COTIDIANO - KLÉSIA PIMENTEL
08/08/2008

Por: KLÉSIA PIMENTEL
 

POLÍTICA: TEORIA E COTIDIANO

Etmologicamente, pólis, em grego, significa "cidade". A política é portanto a arte de governar, de gerir os destinos da cidade.


Na Grécia antiga, os tempos homéricos(séc. XII a VIII a. C.) se caracterizam pelo poder da aristocracia guerreira, marcada pela crença nos mitos, cujos relatos foram reunidos por Homero nas epopéias Ilíada e Odisséia. Segundo as perspectivas do mito, as aços humanas se explicam pela inferência dos deuses e as leis que regem o comportamento humano também têm origem divina.
No período arcaico(séc. VII a VI a. C)entretanto, com o desenvolvimento do comércio, surge a cidade-Estado grega. A passagem da predominância do mundo rural da aristocracia proprietária de terras pra o mundo urbano vem acompanhada de outras novidades igualmente importantes, como a invenção da escrita e da moeda, as primeiras leis escritas e o aparecimento da filosofia no século VI a. C Essas mudanças são o início de uma nova racionalidade desligada o mito e, portanto, da tutela divina.
A democracia em Atenas são considerados apenas cidadãos aproximadamente 10% da população ativa da cidade. Eram excluídos da vida pública os estrangeiros, as mulheres, os escravos. Nessa sociedade se desenvolve uma nova concepção de poder, opondo a democracia à aristocracia e o ideal do cidadão ao do guerreiro.
Os sofistas (Protágoras, Geórgias e outros...) viveram no século V a.C. e são os filósofos responsáveis pela elaboração teórica que legitima o ideal democrático da nova classe dos comerciantes. Mestres da retórica, os sofistas ensinam a usar os instrumentos da virtude da política, ou seja, a arte de falar bem e persuadir, tão necessária pra o cidadão nas assembléias e praças públicas.
Na obra A República, Platão imaginava uma cidade ideal em que os futuros governantes são escolhidos entre os filósofos, representantes do mais alto grau de formação humana. Os demais, incapazes de superar as dificuldades do conhecimento opinativo, se ocupariam com os problemas concretos do dia-a-dia como agricultura, comércio e defesa da cidade, deixando aos sábios competentes a direção dos destinos comuns.
Aristóteles, discípulo de Platão critica os exageros do mestre e desenvolve a clássica divisão das formas de governo-monarquia, aristocracia e politéia, para ele o importante era promover a justiça e também a "vida boa" na sociedade já existente, para que os cidadãos tivessem de viver em uma sociedade feliz.
A política grega é normativa , por estabelecer normas de ação para o governante virtuoso, e prescritiva, por indicar caminhos para distinguir entre o bom governo e a política corrompida.
Dessa forma, diferentemente da política medieval, mais voltada para os ideais religiosos e portanto para a vida após a morte, a Antiguidade valorizava a polis grega, ou a civitas romana como espaço destinado a atender fins diretamente humanos, desligados dos interesses divinos.
No século XVI, Maquiavel representou um marco na elaboração da moderna concepção de política.. Enquanto a política antiga e medieval buscavam descrever o bom governo, dando as regras do governo ideal. Maquiavel, verifica com toda a crueza como os governantes agem de fato. Para ele a política exigia a lógica da força e era impossível governar sem fazer uso da violência. A recusa do prevalecimento dos valores morais na ação política indica um novo conceito de ordem, a ordem mundana como projeto de Estado, e não mais a ordem divina.
A palavra Estado só começa a ser empregada no Renascimento e na Idade Moderna, para designar uma nova forma de poder : O Estado significa a posse de um território em que o comando sobre seus habitantes se traz conforme uma centralização cada vez maior do que o poder.
Dessa forma, só o Estado pode tornar apto para fazer as leis, recolher impostos, ter um exército, atribuições estas que na Idade Média, podiam por exemplo ser exercidas também pelos nobres em seus respectivos feudos.
Nos séculos XVII e XVIII, filósofos tão diferentes como Hobbes, Locke e Rousseau têm o idêntico propósito de investigar a origem do Estado.O inglês Thomas Hobbes, conclui que a única maneira de garantir a paz consiste na delegação de um poder absoluto e soberano. John Locke, como arauto do liberalismo, critica o absolutismo, podendo o parlamentar representar a sociedade tendo força suficiente para controlar os excessos do Executivo. Na França, o suíço Jean Jacques Rousseau, atribui a soberania ao "povo incorporado", ao poder coletivo, capaz de decidir o que é melhor para todo o social.
As teorias contratualistas, se baseiam em um concepção individualista da sociedade, o que é típico do pensamento da sociedade liberal. A sociedade é compreendida como a somatória dos indivíduos, e o Estado tem por finalidade garantir que os interesses particulares coexistam em harmonia.
O conceito de liberalismo surge como teoria política e econômica que surge a partir do século XVII e culmina com as revoluções burguesas. Seus principais teóricos são: Adam Smith , Davi Ricardo, Locke, Montesquieu, Kant, Humboldt,, Benjamim Constant , Stuart Mill, Tocqueville, defendendo o Estado laico (não se identificar com confissão religiosa alguma, nem desejar qualquer interferência da Igreja nos assuntos políticos)e não-intervencionista (criticava o controle que as monarquias absolutistas exerciam sobre a economia).
No início do século XX, aos poucos começa a se configurar a tendência intervencionista do Estado, visando a solução dos problemas sociais do trabalhador, como seguro de saúde, aposentadoria, desemprego.
A partir da década de 60, o estado do bem-estar social mostra sinais de desgaste, seja pelas críticas de intervenção do Estado, aumento das despesas governamentais, ocasionando a crise fiscal, conseqüentemente o aumento do déficit público da inflação e da instabilidade social.

ELEIÇÃO


Entende-se Estado como uma nação políticamente organizada.Na visão liberal, o Estado, como organizador do poder político, tem por finalidade prover as condições para o livre desenvolvimento das atividades particulares na sociedade civil, ou seja, dos cidadãos, considerados individualmente ou organizados em virtude de interesses comuns.
Aristóteles foi o primeiro filósofo a distinguir ética da ´política, centrada a primeira na ação voluntária e moral do indivíduo enquanto tal, a segunda, nas vinculações deste com a comunidade.
Por ser o homem um cidadão político, inclinado a fazer parte de uma pólis(cidade)enquanto sociedade política. Os regimes políticos caracterizam-se pela solução que oferecem às relações entre a parte e o todo na comunidade.
Antônio Gramsci e Nichos Polantzas, nos ajudam a melhor compreender o Estado, Políticas Públicas e sua Hegemonia. Uma vez que conquistado o poder político, a burguesia empresarial(os capitalistas) o utiliza a serviço da manutenção em sua hegemonia nas demais esferas, hegemonia que tem como elemento fundamental a dominação dos trabalhadores nos locais de produção ( a essência do sistema capitalista), e a dominação e submissão de suas idéias, valores, cultura, através das instituições destinadas a este fim, como a escola e os meios de comunicação por exemplo.
A visão do senso comum é que os políticos são os "culpados" pelo suposto "desgoverno" do país e por grande parte das mazelas sociais, na medida em que não tomam providências. Daí a necessidade de percebermos a complexidadee contradições deste setor da organização social.
O setor político constitui uma categoria (não uma classe) dentro do setor público. Essa categoria de trabalho tem uma atividade importantíssima dentro dos meios de controle social.O que justifica por exemplo um empresário querer ser político. A resposta está em dois aspectos:
1º No controle sobre a estrutura pública de financiamento do capitalismo.
2º O controle político geral da sociedade e a imposição de políticas que beneficiem o empresariado capitalista e não aos trabalhadores é realmente o eixoe foco do controle
empresarial sobre a vida política e sobre os políticos quem não sejam empresários. O controle de uma minoria (classe capitalista empresarial e financeira) sobre o aparelho de Estado, sobre as políticas públicas, é o que torna contraditória a atuação do Estado, supostamente criado para servir a todos.
Este "problema" é que faz o setor público e as políticas de estado "não funcionarem" para o povo.Este suposto desgoverno é um excelente governo para o capital financeiro, industrial e comercial.
Uma ingenuidade alienada propaganda pelos m.d.c.m (meios de comunicação e massa) nos impede de ver um grupo minoritárioque representa a classe dos trabalhadores, os sindicatos, os movimentos populares, que clamam por outros valores e outras políticas populares, apoiam as greves, os movimentos sociais, as associações dos povo, o M.S.T...
Hoje, o processo eleitoral político é dominado pelos m.d.c.m. (campanhas milionárias), que representam a elite, com distribuição de brindes, ou a "compra aberta" de votos e "cabos eleitorais". As CEBS, movimentos estudantis, sindicatos, M.S.T, e outros movimentos populares, podem reverter o controle dos empresários para um controle democrático e social. As políticas públicas também atendem a algumas reclamações e demandas das classes subalternas, do povo trabalhador, como uma parcela minguada, das verbas e dos orçamentos destinados aos serviços públicos e ao atendimento das necessidades de alguns setores da população trabalhadora brasileira.Por este motivo se faz ainda algumas conceções de salário, previdência, aposentadoria...pelo simples fato de não poder retirar totalmente os direitos dos trabalhadores sem que haja revolta que poderia descontrolar o funcionamento "pacífico e ordeiro" da nação.
Na medida em que o povo se despolitiza e reduz sua essência de classe e sua mobilização sindical, política e popular, as políticas públicas voltam a atender quase que somente aos interesse empresariais e financeiros. Este é o cerne das políticas neo-liberais.
Que papel desempenham as políticas educacionais?
A educação, diferentemente da política educacional, pode existir livre e entre todos os sentidos, como uma das maneiras que as pessoas encontraram para tornar comum o saber, externando naturalmente suas crenças. A política educacional, pressupõe a organização, seletividade e criteriosidade sobre o que será ou não transmitido.
A solução para amenizar as problemáticas sociais do país não está em deixar de votar, ou votar no candidato com menor intensão de votos segundo as pesquisas eleitorais (voto de protesto!), ou simplesmente não assistirmos as propagandas eleitorais gratuitas, como abstenção ao direito às críticas fundamentadas nas necessidades cotidianas de nosso povo.Temos o dever de lembramos em quem votamos na última eleição...A nova situação econômica exige, portanto, a reorganização da sociedade política e da sociedade civil, a fim de que o Estado se torne mediador dos interesses de produção ampliada da maioria do nosso povo. Não devemos permitir que nos transformem em "educadores incolores"(aqueles que não provocam nenhuma reação).
Marx lembrou aos educadores:" ninguém educa ninguém sem uma proposta política".
Há uma urgente necessidade de uma revisão da nossa atividade enquanto educadores. Se temos consciência da postura que assumimos frente à sociedade dividida em classes, se temos consciência de classe, se sabemos a favor de quem trabalhamos e contra quem, criamos certmente vínculo orgânico com a classe que defendemos.
Ao novo educador compete refazer a educação, reinventá-la criara as condições objetivas para que uma educação democrática seja possível, criar uma alternativa pedagógica que favoreça o aparecimento de um novo tipo de pessoas solidárias, preocupadas com um novo projeto social e político que construa uma sociedade mais justa, igualitária e humana. Que não seja uma proposta elaborada nos gabinetes dos burocratas da educação. Para não vir como forma de Lei ou de como uma Reforma(colcha de retalhos!). Se ela for possível amanhã é somente porque hoje ela está sendo pensada pelos educadores, juntos, trabalhando coletivamente, se reeducando. Essa reeducação dos educadores já começou. Ela é possível e necessária.


“Se o mundo fosse feito de ouro,
todo ser humano daria tudo para
ser um pedaço de barro”.
Bertold Brech

Klesia Pimentel de Araujo
Mestranda em Ciências da Educação
87872914
30823262



 
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