10 ANOS SEM DONA ABIGAIL- Chico Marques
29/09/2008

Por: Chico Marques
 

Discurso não pronunciado.

 

 

Meus irmãos, familiares e amigos de Dona Abigail Marques,

 

Vimos aqui, nesta triste manhã, entregar à Terra o corpo de nossa Abigail e ao Céu sua alma!

 

A dor deste momento não pode nos tirar a razão e nos afastar do grande e generoso amor de Deus; nada nos afastará do Seu amor.

 

Quis o destino que a passagem desta vida à eterna fosse abrupta, afinal nunca se está preparado para um desenlace  da magnitude da morte de um ente querido!

 

Dona Abigail, minha mãe, pessoa que honrou este chão que tanto palmilhou, não passou em vão, nem em brancas nuvens se deitou; lutou a boa batalha, venceu-a sem fazer inimigos.

 

Seria injustiça para nossa Abigail falar em orfandade, pois graças a Deus tive (e meus onze irmãos também) dois pilares reforçados para conduzirem a todos a porto seguro: Dona Abigail e o Senhor Amadeu Marques. Agora presta-se uma justa homenagem neste derradeiro, melancólico e triste momento.

 

A sol escaldante que ora aquece a todos é uma tênue imagem da força e da coragem de Dona Abigail que, nos longínqüos anos que sequer havia energia elétrica em Independência, esta mulher, um laboriosa cidadã, ficava confeccionando, até tarde da noite, roupas numa velha máquina de costura Vigorelli, a pedal! Tudo para que, auxiliando meu pai, a féria mensal fosse mais robusta e suportasse a carga de alimentar um contigente de 12 filhos e mais alguns parentes.

 

Aqui é a Dona Abigail, amiga fidelíssima, com amizades datando até mais de 50 anos, como Lázaro, Joaquim Augusto, Dona Dora, Dona Expedita Cardoso, Geraldina, D. Ozanira, entre tantas outras, que, com tristeza também integram-se a este momento.

 

Não, minha mãe, sua imagem singela na cadeira no “Oitão daquela casa antiga...” em plena rua Amadeu Marques, não  será esquecida e seu ofício de fazer amizades e mantê-las há de prosseguir. Sua memória será preservada por seus pósteros.

 

À Terra, o corpo. A alma aos Céus! Minha saudade e minha dor.

 

Tocando em frente há de se ir, mamãe!  

    

Chico Marques - 29.09.1998

 
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